segunda-feira, 27 de março de 2017

Poetas em defesa da olaria de Estremoz - 06


Lúcia Cóias (1934-).
Empregada de comércio e poetisa, natural de Estremoz.
LIVROS – Poesia Popular (2015); Rosas Brancas (2016).


As bilhas de Estremoz

Do barro saem as bilhas tão formosas
Pelas mãos do oleiro bem moldadas
De flores, troncos e pedrinhas enfeitadas
Tão bonitas, tão singelas, tão vistosas

Foram noutros tempos, uma fonte de riqueza
Orgulho de Estremoz também outrora
Espalhadas com prazer p’lo mundo fora
Depois de matarem a fome à pobreza

E lá na campina, quando o sol abrasava
P’la charneca, moça morena na bilha levava
A água fresquinha para o cavador

Alegre e serena, escondendo desejos
Matava depois a sede com beijos
Qual Samaritana dando água ao Senhor

domingo, 26 de março de 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

Poetas em defesa da olaria de Estremoz - 05


Maria Guiomar Ávila (1919-1992).
Professora e poetisa, natural de Estremoz.
LIVROS - À janela da Vida (1998).

Barros de Estremoz

Bilha de barro, enfeitada,
Lembras moçoila corada,
De cara fresca e bonita,
Cinturinha fina
E ancas modeladas
No avental de chita!
Bilha de barro, singela
Como a alma do oleiro
Que te desenha e modela!
Basta olhar-te e logo vejo
- Na tua graça e frescura –
Todo o povo do Alentejo:
Pastores de olhos perdidos na lonjura,
Sem lutas nem ambição,
Falando a sós com Deus
Em longas noites e dias
de solidão;
Ceifeiras e mondadeiras,
Simples e joviais,
Cantando para enganar
O cansaço das horas sempre iguais:

"Lá vai o comboio, lá vai,
Lá vai ele a assobiar.
Lá vai o meu lindo amor
Para a vida militar..."

E os ganhões,
Erguendo ao alto as enxadas,
Em longas filas cerradas
(Como um friso de escultura
De antiga tradição)
Pedindo à terra
O tesouro que ela encerra
E que há-de um dia transformar-se em pão.
E o manajeiro,
O ajuda, o maioral...
Todo este povo humilde,
Honesto e leal,
Em ti perpassa
Como um símbolo vivo
Do trabalho e da raça!

Oh minha bilha, enfeitada,
Lembras moçoila corada,
De cara fresca e bonita,
Cinturinha fina
E ancas modeladas
No avental de chita!

quinta-feira, 16 de março de 2017

68 – Berços do Menino Jesus - 7


Berço dos anjinhos (2017).
Ricardo Fonseca (1986-).
Colecção particular.

Figurado de Estremoz – 4
Simbologia do berço dos anjinhos
À semelhança do berço das pombinhas, também o berço dos anjinhos é revelador da modificação introduzida pelos nossos barristas ao contexto do nascimento de Jesus. Igualmente decorado com recurso ao azul do Ultramar e ao ocre amarelo.
O simbolismo do galo é análogo ao do berço das pombinhas. O galo está ladeado de dois anjinhos, mensageiros de Deus junto dos homens. Ostentam asas numa alusão clara à sua capacidade de ascensão aos céus. São em número de dois, já que Jesus Cristo manifesta dois aspectos: o divino e o humano. Tocam trombeta, instrumento musical usado para anunciar os grandes acontecimentos históricos e cósmicos. As trombetas associam aqui o céu e a terra numa celebração única: o nascimento de Jesus Cristo.
O espaldar do berço está enfeitado com um laço dourado. Na antiga Grécia existia o costume de atar as imagens dos Deuses com um laço, para que não abandonassem o local e o povo. No antigo Egipto, o laço simbolizava a eternidade, pela união entre os deuses e os homens, o céu e a terra. Por outras palavras, o laço pode ser encarado como um supremo privilégio de domínio dos deuses. No cristianismo, os laços das vestimentas representam os três votos: a obediência, a pobreza e a castidade. Modernamente, o laço dourado é símbolo de promoção do valor da amamentação para a sociedade. A cor dourada simboliza a amamentação como padrão ouro para a alimentação infantil. Uma parte do laço representa a mãe e a restante representa a criança. O laço é simétrico, o que significa que a mãe e a criança são ambos vitais para o sucesso da amamentação. Sem o nó não haveria laço, pelo que o nó representa o pai, a família e a sociedade, sem os quais a amamentação não teria êxito. O laço encontra-se ladeado de folhas de sobreiro com bolotas, numa alegoria ao Alentejo.
Sobre os arcos, ramos de palma, verdes. Os ramos de palma simbolizam o martírio de Jesus, uma vez que a palma é considerada um atributo dos mártires, que na arte cristã ocidental são representados empunhando um ramo de palma. Esta, desde a época pré-cristã que é considerada como um símbolo de vitória e de ascensão, pelo que os heróis eram saudados com ramos de palma ao retornarem vitoriosos das batalhas. Os romanos usaram os ramos de palma como símbolo de vitória contra os judeus. Estes viriam a reagir, pelo que de acordo com os quatro evangelhos canónicos, Jesus foi recebido festivamente com ramos de palma na sua entrada triunfal em Jerusalém. Por isso a palma veio a ser adoptada pelos primeiros cristãos como símbolo da vitória dos fiéis sobre os inimigos da alma e é ainda encarada pelos cristãos como símbolo da vitória na guerra travada pelo espírito contra a carne. Daí que no Domingo de Ramos, os fiéis transportem ramos de palma abençoados pelo sacerdote no início da Procissão de Ramos, até à Igreja Matriz. Pelo facto de se manter sempre verde, a palma encerra em si igualmente um simbolismo associado à Ressurreição e Imortalidade de Cristo, após o drama do Calvário.
Entre os arcos ogivais, 4 corolas de gerbera que simbolizam a pureza e a inocência das crianças e aqui do Menino Jesus. Da esquerda para a direita e em sequência espectral, as cores e o respectivo simbolismo são sucessivamente: violeta (espiritualidade, mistério e misticismo), azul (nobreza, harmonia e serenidade), laranja (alegria e vitalidade) e vermelho (paixão e amor). As corolas são em número de 4, já que para Pitágoras o número 4 era perfeito, pelo que foi o número utilizado para fazer referência ao nome de Deus. Aquele número está também ligado ao simbolismo da cruz e ao número de evangelistas que descreveram a vida de Jesus.
A figura do Menino Jesus está deitada de costas em cima das palhinhas e com o braço esquerdo apoiado no peito, o que tem interpretação análoga à do presépio das pombinhas. O braço direito encontra-se esticado ao longo do corpo, com a palma da mão aberta, o que significa que não tem nada a esconder. Trata-se da mão direita, a mão que abençoa. A palma está virada para o Céu, simbolizando pacificação e dissipação de todo o medo.

terça-feira, 14 de março de 2017

Armando Alves – Paris 2017




Armando Alves – Paris 2017

Esta a designação da exposição antológica breve, que de 15 a 25 de Março de 2017, estará patente ao público na galeria Fauve, em Paris. Para ela foi editado um magnífico catálogo com design gráfico de Armando Alves e texto de Laura Castro. O mesmo contou com o apoio da Fundação Eng. António de Almeida, que desde 1968 vem desenvolvendo uma importante acção em prol das artes e da cultura em Portugal.

A exposição antológica de Armando Alves inaugura a galeria Fauve, em Paris, que se pretende lugar de encontro entre a arte e artistas, particularmente portugueses e franceses. Com trabalhos que percorrem o trajecto do artista, de meados dos anos 50 até à actualidade, a exposição dirige-se ao público francês e à comunidade portuguesa residente em França, em particular. Armando Alves regressa a Paris, depois de aí ter exposto, há muitos anos, com um grupo de artistas que deixava para trás o período de aprendizagem na Escola Superior de Belas Artes do Porto e explorava os caminhos de afirmação da sua obra. Quatro Vintes, assim se chamava esse grupo, em alusão bem-humorada à classificação obtida no final do curso. Se, nessa altura, Armando Alves mostrava o trabalho da época, esta exposição detém-se em peças emblemáticas de alguns dos momentos mais significativos do seu percurso. Cada artista responde às solicitações do seu tempo e aos modelos culturais da sua época, aos quadros de referência mental da sua formação, mas só se for capaz de conciliar esta dimensão colectiva com a sua singularidade, acabará por integrar, naturalmente, as experiências e o legado que se lhe apresenta. A evolução de Armando Alves manifesta claras influências de correntes artísticas do tempo que foi o seu e aponta para uma direcção própria, para um entendimento da pintura, com o qual se identifica, e que consolidou na produção que chega aos nossos dias. Abrem a exposição trabalhos dos anos 50 elaborados no quadro de uma cultura artística profundamente marcada pelo neo-realismo e por elementos visuais de raiz popular. Esta iconografia – geograficamente e cronologicamente situada – ira perder-se para uma pintura que evolui de formulações geometrizadas, planos de cor e sinais de paisagem estilizados, até se encontrar próximo do informalismo dos anos 60, altura em que o pintor se dedica a uma série de experiências abstractas de forte incidência matérica e textural. Não que se tenha perdido completamente o molde da paisagem, que continua a ler-se em opções de carácter compositivo, mas a riqueza da matéria e o trabalho oficinal impuseram-se face a outras referências.
Ao longo da década de 70, o gosto da experimentação, então evidenciado em telas-objecto, telas fendidas, tratadas de modo pouco convencional, como acontece com uma das peças expostas, trouxeram à obra de Armando Alves o ar de família daquela época. O que aconteceu na etapa seguinte, que a exposição também documenta, foi assim descrito por Vasco Graça Moura, no ano de 1981: Em 1978 a pintura de Armando Alves era feita sob o signo do arco-íris: estava aí, por excelência, o princípio motor da variação geométrica e cromática das suas telas. Um certo impulso, de raiz expressionista e gestual, derivado de fases anteriores, se ainda imprimia naquelas as suas marcas atmosféricas, convertia-se sobretudo no feixe altamente disciplinado das sete cores do espectro; e nos quadros avultava, a partir dele, a importância concedida aos valores de construção, acentuando outra das coordenadas constantes desta pintura. Mas a sua pintura seguiria o caminho que interessava ao artista e nos anos 80 reintroduz-se a paisagem na sua obra, numa reinterpretação de valores académicos do passado, nomeadamente o modelo da janela renascentista ou a linha do horizonte, numa revisitação de modelos românticos ou na contemporaneidade da paisagem inventada no olhar de cada um. O crítico Fernando Pernes foi dos primeiros a referir-se à sua obra de paisagem, falando de campos de luz, manchas atmosféricas do erguer da madrugada ou de nevoentos dias de chuva, de um abstraccionismo cheio de memórias, existenciais e culturais, de uma poética da terra e do mar. Sucessivas leituras e releituras da paisagem têm sido concretizadas sobre a pintura de Armando Alves. É inevitável a dupla leitura das paisagens geradas entre o Alentejo, no sul de Portugal, e Matosinhos, no norte litoral do país. O poeta Eugénio de Andrade expressou claramente esta duplicidade, num texto de 1987: Ele veio da planície, como se sabe. Veio da ondulação das searas, ininterrupta, até quando não há vento. Só muitos, muitos anos depois descobrirá dentro de si outra ondulação – a do mar, agora a dois passos de casa. Curiosamente – ou não – as paisagens realizadas já neste século, regressam aos motivos do Alentejo, onde nasceu, e reintroduzem grandes estruturas de árvores que se recortam sobre os fundos longínquos, revelando a fidelidade do artista aos lugares e aos pretextos que nunca abandonou, mesmo quando se dedicava a outras propostas visuais e plásticas.
 Laura Castro


Capa do catálogo


1955 Óleo sobre platex | 41 x 58 cm

1956 Óleo sobre platex | 57 x 36 cm

1960 Óleo sobre platex | 49,5 x 68 cm

1964 Acrílico sobre tela | 43 x 53 cm

1978 Acrílico sobre tela | 60,5 x 60,5 cm

1985 Acrílico sobre tela | 30 x 40 cm

2012 Acrílico sobre tela | 100 x 100 cm


2012 Acrílico sobre tela | 100 x 100 cm

2012 Acrílico sobre tela | 50 x 50 cm

2016 Acrílico sobre tela | 100 x 100 cm


2016 Acrílico sobre tela | 60 x 60 cm

2016 Acrílico sobre tela | 60 x 60 cm

2016 Acrílico sobre tela | 100 x 81 cm


2016 Acrílico sobre tela | 100 x 81 cm

 Armando Alves
 Notas biográficas
(Do catálogo)
  
Armando Alves nasceu em Estremoz, em 1935. Fez o Curso de Preparação às Belas Artes na Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa. Completou o Curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde foi Professor Assistente entre 1962 e 1973. A sua obra tem sido exposta frequentemente no país e no estrangeiro. Está representado em diversas colecções particulares e organismos públicos. Desde cedo ligado às artes gráficas, a ele se deve, com a sua actividade, uma profunda renovação e valorização nessa área, desde logo demonstrada na exposição individual que realizou na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1965, e de então para cá em muitas outras realizações.
1956 X Exposição Geral de Artes Plásticas, Lisboa, SNBA; Exposição de Arte Moderna, Póvoa de Varzim 1957 Exposição no Clube de Campismo de Setúbal; 1ª Exposição de Artes Plásticas, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 1958 11 Pintores Portugueses, Madrid, Galeria Abril; II Salão de Primavera da Costa do Sol, Estoril; VII Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto; Começa a trabalhar em Artes Gráficas 1959 VIII Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto 1960 2ª Exposição Extra-Escolar dos Alunos da Escola Superior de Belas Artes do Porto, no Porto, Coimbra e Lisboa; IX Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto; Exposição de Arte Moderna, Amarante; Salão 60, Fenianos, Porto; Doze Artistas da Metrópole, Lourenço Marques; Festival de S. Lucas, Évora 1961 3ª Exposição Extra-Escolar dos Alunos da Escola Superior de Belas Artes do Porto, no Porto, Coimbra e Lisboa; X Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto; Arte Portuguesa, Antuérpia; Arte Portuguesa, Anvers, Bélgica; II Bienal de Paris – Jovem Pintura, Paris; Exposição de Artes Plásticas (integrada na Queima das Fitas), Coimbra – 1º Prémio de Pintura 1962 Conclui o Curso Superior de Pintura, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, com classificação final de 20 valores; É convidado a exercer o cargo de Professor Assistente na mesma Escola; XI Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto; Exposição de Artes Plásticas, organizada pelo Lusitano Ginásio Clube 1963 Exposição inaugural da Cooperativa de Actividades Artísticas Árvore, Porto; XII Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto 1964 A convite da Fundação Calouste Gulbenkian, efectua uma viagem de estudo a Inglaterra 1965 Primeiro Salão de Primavera, Guimarães; Exposição individual na Cooperativa de Actividades Artísticas Árvore; 1ª exposição individual de Artes Gráficas, na Escola Superior de Belas Artes do Porto; Viagens de estudo a Espanha e França 1966 Exposição da Fundação Calouste Gulbenkian, Bagdad; XV Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto; Exposição de Arte Moderna no Cinquentenário da Morte de Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante 1967 Exposição inaugural da Galeria Divulgação, Porto; Exposição de Arte Portuguesa, Bagdad (organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian); XVI Exposição Magna da Escola Superior de Belas Artes do Porto 1968 Constitui o Grupo Os Quatro Vintes (com Ângelo de Sousa, Jorge Pinheiro e José Rodrigues); Exposição Os Quatro Vintes, Cooperativa Árvore e Galeria Domingues Alvarez, Porto; Exposição de Arte Moderna, Museu de José Malhoa, Caldas da Rainha; Direcção Gráfica da Editorial Inova, fundada este ano; Dirige graficamente a obra Daqui Houve Nome Portugal (antologia de verso e prosa sobre o Porto, organizada por Eugénio de Andrade, edição especial comemorativa dos 1100 anos da cidade do Porto) 1969 Exposição de homenagem a Souza-Cardoso, Amarante; Exposição Os Quatro Vintes, Galeria Zen, no Porto, e em Lisboa na SNBA; Dirige graficamente a obra Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana Alcoforado (traduzidas por Eugénio de Andrade, com desenhos de José Rodrigues, edição especial comemorativa dos 300 anos de publicação do texto original) 1970 Exposição Os Quatro Vintes, Galeria Jacques Desbrière, Paris; Poster Catarina Eufémia, com desenho de José Rodrigues e poema de Sophia de Mello Breyner Andresen 1971 Direcção gráfica da obra Memórias de Alegria (antologia de verso e prosa sobre Coimbra, organizada por Eugénio de Andrade, edição especial comemorativa do centenário da “Geração de 70”); Direcção gráfica de Ostinato Rigore, de Eugénio de Andrade, cuja capa reproduz um desenho seu; Poster Meditação em Catarina, poema de Egito Gonçalves, com desenho de Augusto Gomes 1972 Dirige graficamente a obra Variações sobre um Corpo (antologia de poesia erótica contemporânea organizada por Eugénio de Andrade, com 26 desenhos de José Rodrigues); Dirige graficamente a obra Versos e alguma prosa de Luís de Camões (antologia organizada por Eugénio de Andrade, comemorativa dos 450 anos do nascimento de Camões); Realiza graficamente a Biblioteca Camiliana, dirigida por Alexandre Cabral 1973 Realiza graficamente a colecção de poesia Indícios de Oiro; Cartaz comemorativo da 1ª Exposição de Ourivesaria Artesanal de Gondomar; Cartaz Nicolau Nasoni Arquitecto do Porto, na come moração do II Centenário; Exposição Colectiva, Galeria Dois, Porto 1974 Cartaz A Vontade Popular, MDP; Ilustra e dirige graficamente O Elefante Cor-de-Rosa, livro infantil de Luísa Dacosta, editado pela Figueirinhas, Porto 1975 Levantamento da Arte do século XX no Porto, Museu Nacional Soares dos Reis; Poster Povo/MFA (homenagem a Vasco Gonçalves, com desenho de Armando Alves e poema de Eugénio de Andrade); Direcção gráfica da Editorial Limiar, fundada neste ano; Cartaz comemorativo do 53º Dia Mundial da Cooperação; Cartaz Emigrante – Dinamização Cultural; Cartaz comemorativo do Ano Internacional da Mulher; Cartaz comemorativo do Dia Mundial da Infância; Cartaz e cenários para a peça Lux in Tenebris, sobre o texto de Bertolt Brecht, com encenação de Pere Planella, levada à cena pelo Seiva Trupe, Porto; Participação no Mural Colectivo de Viseu 1976 Dirige a exposição e a organização gráfica do catálogo da Exposição 30 anos de Eugénio de Andrade, realizada pela Inova, na Fundação Engenheiro António de Almeida, Porto 1977 Dirige a exposição e organização do catálogo da Semana de Colóquios e Cinema dedicada à obra de Vergílio Ferreira, realizada pela Editorial Inova no Ateneu Comercial do Porto; Programa para os concertos de Homenagem a Fernando Lopes-Graça no seu 70º aniversário; Cartaz para o Campeonato da Europa de Cadetes – Taça Jean Becker – Ténis CTP 1978 Exposição individual, na Galeria Jornal de Notícias, Porto, sendo na ocasião publicado pela Editorial Inova um catálogo com ampla documentação iconográfica e crítica; Cartaz e programa para Os Emigrantes, peça de Slawomir Mrozek, encenada por João Lourenço e levada à cena pelo Teatro Experimental do Porto; Poster de Augusto Gomes, com texto de Eugénio de Andrade 1979 Dirige graficamente a última edição da Editorial Inova Poemas do Último Século Antes do Homem 1980 Direcção gráfica da Editorial Oiro do Dia, sucessora da Inova; Realização gráfica, nesta editora, da colecção de poesia Obscuro Domínio e O Aprendiz de Feiticeiro 1981 Exposição individual, na Galeria Jornal de Notícias, Porto, sendo por essa altura editado pela Oiro do Dia um álbum com três plaquetas dedicadas a Armando Alves e com desenhos seus: A condição do olhar, de Maria Alzira Seixo, A plenos pulmões, de Herberto Helder e Armando Alves e A lâmpada de Aladino, de Eduarda Chiote; Direcção gráfica do catálogo Exposição Retrospectiva dos 50 primeiros espectáculos do Teatro Experimental do Porto 1982 Exposição Aspectos da Arte Abstracta, 1970--1980, SNBA, Lisboa; Exposição Arteder/82 – Muestra Internacional de Arte Gráfica, Bilbao; Realiza a exposição O Pintor e a cidade (aguarelas de António Cruz sobre o Porto e outros lugares, na Casa do Infante), e dirige graficamente, na Oiro do Dia, a edição de um álbum com o mesmo título. Dirige graficamente as seguintes edições: Maternidade, de Almada Negreiros, para a Imprensa Nacional, Os Lusíadas, com desenhos de José Rodrigues, para a Livraria Figueirinhas e Obras Completas de Manuel da Fonseca, para a Editorial Caminho 1983 Exposição de Artes Gráficas, Museu dos Biscainhos, Braga; 1ª Exposição Nacional de Desenho, Cooperativa Árvore, Porto; Mostra de Artes Gráficas Grafiporto 83, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto – 1º Prémio 1984; Quadros de uma Exposição, Posto de Turismo da Câmara Municipal de Matosinhos; Exposição Colectiva, Galeria Altamira, Lisboa (com Jorge Pinheiro, José Rodrigues, Mário Américo e Zulmiro de Carvalho); 15 Artistas Portugueses, Goethe Institut, Alemanha Ocidental; IV Bienal Internacional de Vila Nova de Cerveira 1985 Exposição Colectiva, Atelier 15, Lisboa; Exposição Os Quatro Vintes vinte anos depois, Casa do Infante, Porto, com catálogo editado pela Oiro do Dia; Exposição individual de Serigrafias, no Museu dos Biscainhos, Braga; Exposição individual de Pintura, na Cooperativa Árvore, Porto, com catálogo editado pela Oiro do Dia 1986 Arte Portuguesa, Bordéus 1987 Colectiva de Desenho da Cooperativa Árvore, Mercado Ferreira Borges, Porto; Exposição individual, Galeria Nasoni, Porto; Esteve representado na MARCA 87, Madeira (Stand Galeria Nasoni) 1988 Exposição individual FIAC’88, Paris (Stand Galeria Nasoni) 1990 Exposição Objectos, na Galeria Nasoni, Porto 1993 Exposição individual na Cooperativa Árvore, Porto 1994 7 Artistas Trabalham a Prata, Galeria  Santos, Porto; Exposição individual, Galeria Degrau Arte, Porto; Zeitgenõssische Kunst aus Portugal, Wiesloch 1995 Exposição de Arte Portuguesa Contemporânea, Amarante e Matosinhos; Bienal Internacional de Arte de Vila Nova da Cerveira; Exposição individual, Galeria Fernando Santos, Porto; Justiça, Galeria da Praça, Porto; Zeitgenõssische Kunst aus Portugal, Heidelberg e Bona 1996 Dimensão no Desenho, Paço Imperial, Rio de Janeiro; Dez Pintores Portugueses, na Bienal de Zamora; Exposição individual, na Pousada de S. Francisco, Beja; Exposição Colectiva, Delaunay Galeria de Arte, Vila do Conde; Exposição Colectiva, Associação Nacional de Farmácias, Lisboa 1997 Exposição Farmácia, Galeria da Praça, Porto; Exposição individual, na Galeria Municipal de Vila Franca de Xira 1997-1998 Dimensão do Desenho, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém, Santos, Niterói, São Paulo, Rio de Janeiro e Santiago do Chile 1998 Exposição da Cruz Vermelha, Expo’98, Lisboa; Exposição do Prémio Nacional de Pintura António Joaquim (artista de Gaia), Vila Nova de Gaia; VIII Cimeira Ibérica, Cooperativa Árvore, Porto 1999 50 Anos 50 Quadros – Cores do Porto, Colégio Universitário, Porto; Tesouros de Portugal (integrada nas comemorações do 10 de Junho), Macau; CIRCA 1968, Fundação de Serralves, Porto (exposição inaugural do Museu de Arte Contemporânea); Trajectos do Sentir, Galeria Domus Vários (exposição inaugural), Lisboa 2000 1ª Bienal de Pintura Domingos Sequeira, Bairro Alto Galeria de Arte, Lisboa; Exposição individual, na Pousada de Nossa Senhora da Assunção, Arraiolos 2001 Porto 60/70 – Os Artistas da Cidade, Museu de Serralves e Cooperativa Árvore, Porto; Artistas do Alentejo, Galeria de Arte Contemporânea EDIA – Empresa e infra-estruturas do Alqueva S.A.; Arte de Vanguarda no Porto anos 60/70, Galeria da Biblioteca Almeida Garrett, Porto; Exposição individual, na Galeria Domus Vários, Lisboa 2002 Exposição inaugural, da Galeria Arte Doze, Lisboa; Exposição Cordeiros 2002 Arte Contemporânea, no Centro de Congressos do Estoril; Exposição individual Os Lugares do Desenho, no Palacete Viscondes de Balsemão, Porto; XIX Exposição Colectiva dos Sócios da Cooperativa Árvore, no Mercado Ferreira Borges, Porto; Exposição Um Sopro de Respiração (Luísa Dacosta), na Biblioteca Almeida Garrett, Porto; Exposição da Galeria Arte Doze, Viseu 2003 Exposição individual, na Galeria das Antas, Porto; Exposição Viagem Ilha de Moçambique, na Fundação Júlio Resende, Gondomar; Exposição A Árvore no Porto Arte, Feira de Arte Moderna e Contemporânea; Exposição Portugal de Relance – A Viagem O Encontro de Dois Povos, no Museu Brasileiro de escultura em S. Paulo, Brasil; Exposição Mestre de Pintura, na Galeria Cordeiros, Porto; Exposição Artistas Portugueses Contemporâneos, colecção da Casa da Cerca, no Palácio da Galeria Tavira 2004 Exposição Viagem – Ilha de Moçambique (organizada pela Fundação Júlio Resende com o apoio da Fundação Oriente), Maputo, Moçambique; Exposição individual de Desenho, Casa da Cerca, Almada (com apresentação do Cartaz para o Festival Internacional de Teatro de Almada); Exposição individual Um sentimento da Paisagem, Galeria S. Mamede, Porto 2005 Exposição individual, na Galeria S. Mamede, Lisboa; Exposição inaugural, Galeria Maria Braga, Vilar de Mouros 2006 Exposição individual 4 Tapeçarias e algumas Pinturas, no Museu Serpa Pinto, Cinfães; Exposição individual Tapeçaria e Pintura, na Galeria Mali Brito, Porto; Exposição colectiva 11 Esculturas para Eugénio de Andrade, no primeiro aniversário da morte do Poeta, na Biblioteca Florbela Espanca, Matosinhos; No dia 10 de Junho é agraciado pelo Presidente da República com o Grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito; Em Outubro é homenageado pelo Município de Estremoz com a Medalha de Mérito Municipal – Ouro; Exposição individual A morada de um Pintor, na Galeria São Mamede, Lisboa 2007 Exposição individual, na Galeria S. Mamede, Lisboa; Exposição Escultura com Afetos, no Armazém das Artes – Fundação Cultural, Alcobaça; Exposição Escultura com Afectos, na Sociedade de Belas Artes, Lisboa; Exposição Colectiva A Arte e a Saúde, no Hospital de Santa Maria, Lisboa, organizada por Cordeiros-Galeria; Exposição Paisagem Portuguesa Contemporânea, em Ryhad, Arábia Saudita; Exposição Colectiva, Galeria Cordeiros, na Alfândega do Porto; Exposição Colectiva 25 Artistas, na Galeria Cordeiros, Porto; Exposição Colectiva Arte na Leira, Viana do Castelo; Exposição de Escultura abstracta nas décadas de 1960-70, Pavilhão de Portugal, Coimbra, organizada pela Fundação de Serralves; Exposição Colectiva 20 Pintores Contemporâneos Portugueses, Claustros, Instituto Politécnico de Setúbal 2008 Exposição individual Paisagens, no sétimo aniversário da Eurogaleria, Porto; Exposição Linha do Horizonte – O motivo da paisagem na arte portuguesa contemporânea, Rio de Janeiro, Brasil; Exposição de Artes Plásticas Escola do Porto – Duas Gerações, Bienal de Arte de Chaves; 23.ª Exposição Colectiva dos Sócios da Árvore, na Cooperativa Árvore, Porto; Exposição Linha do Horizonte – O motivo da paisagem na arte portuguesa contemporânea, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto; Exposição Colectiva Escultura Abstracta nas Décadas de 1960-1970 na Colecção da Fundação de Serralves, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, Bragança; Feira Arte Lisboa 2008, na Galeria São Mamede 2009 Exposição colectiva do acervo da Fundação de Serralves, Serralves 2009 – A Colecção, Fundação de Serralves, Porto; Exposição colectiva Arte Tecida – Tapeçaria de Portalegre na Arte Contemporânea, no Fórum Cultural de Ermesinde; Exposição colectiva, na galeria São Mamede, Porto; 24.ª Exposição Colectiva dos Sócios da Árvore, na Cooperativa Árvore, Porto; Exposição individual, na Galeria Valbom, Lisboa; Feira Arte Lisboa 2009, na Galeria São Mamede e Galeria Valbom; Atribuição do Prémio de Artes Casino da Póvoa 2009, em Dezembro, Póvoa de Varzim; Exposição antológica O Sentido de Um Trajecto, no Fórum de Ermesinde 2010 Exposição colectiva Desenho Português no Egipto, Palácio Amir Taz, Cairo; Exposição colectiva 9 x 16, Eurogaleria, Porto; Exposição individual O Sentido de Um Trajecto, em Março, no Armazém das Artes – Fundação Cultural, Alcobaça; Exposição colectiva 7 Caminhos Partilhados, na Galeria Cor Espontânea, Porto; 25.ª Exposição Colectiva dos Sócios da Árvore, na Cooperativa Árvore, Porto; Exposição colectiva Pintura no Pára-Vento, Porto; Exposição colectiva As Mãos, a Alma, na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto; Exposição antológica O Sentido de Um Trajecto, no Centro Cultural Adriano Moreira, Bragança; Feira Arte Lisboa 2010, na Galeria São Mamede 2011 Exposição colectiva A Propósito da Natureza, na Casa da Cerca, no Centro de Arte Contemporânea, Almada; Exposição antológica O Sentido de Um Trajecto, em Fevereiro, na Sala Encarnacion Deputation de Zamora; Exposição colectiva Arte Contemporânea – Obras da Colecção do Município de Almada, no Armazém das Artes, Alcobaça; Exposição colectiva de apoio à Liga Portuguesa Contra o Cancro, no Museu do Douro, Peso da Régua; Exposição colectiva 2.º Aniversário do Jornal As Artes entre as Letras, no Museu Municipal de Espinho; Exposição Depois dos Quatro Vintes – Percursos Individuais, no Palácio das Artes, Porto; Feira Arte Lisboa 2011, na Galeria São Mamede e Galeria Valbom 2012 Exposição colectiva Nós na Arte – Tapeçaria de Portalegre e Arte Contemporânea, no Museu do Douro, Museu de Lamego, Museu do Côa, Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, Museu do Abade de Baçal e Mosteiro de Santa Maria de Salzedas; Exposição individual Árvores, Galeria São Mamede, Porto 2013 Exposição individual Árvores, na galeria São Mamede, Lisboa; Exposição colectiva Escultura Abstracta nas Décadas de 1960/1970 na Colecção da Fundação de Serralves, na Galeria Municipal de Matosinhos; Exposição colectiva Entre as margens – Representações da Engenharia na Arte Portuguesa, no Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto; Exposição colectiva na Galeria São Mamede, Vale do Lobo, Algarve; Exposição colectiva na Galeria São Mamede, Lisboa; Exposição colectiva na Assembleia da República Árvore 50 Anos de Obra Gráfica; Exposição individual Ser Solidário, na Galeria AmiArte, Porto 2014 Exposição individual Árvores, na Cooperativa Árvore, Porto; Exposição individual Armando Alves, na Galeria Bombarda, Porto; Exposição colectiva A Senhora do Manto Largo – Um Olhar Contemporâneo, na Sede da Lusitania Seguros, Lisboa 2015 Exposição colectiva Nós na Arte – Tapeçaria de Portalegre e Arte Contemporânea, na Fundação Manuel António da Mota, Porto; Exposição colectiva Arte Contemporânea – Artistas Portugueses, no Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados, Porto; Participação como artista convidado na 1.ª Bienal Arte de Gaia 2015, Vila Nova de Gaia; 29.ª Exposição Colectiva de Sócios da Árvore, no Museu Soares dos Reis, Porto; Exposição colectiva XIX Bienal Festa do Avante 2015, Seixal; Exposição colectiva Se as Serras, na Quinta do Ervedal, Baião 2016 Exposição colectiva Art 4 Moz – Artistas Solidários com a Saúde de Moçambique, na Douro Marina, Vila Nova de Gaia; Exposição colectiva Gaiarte/Onda Bienal, Vila Nova de Gaia; Exposição colectiva Em Torno de Camélia, no Espaço Porto Cruz, Vila Nova de Gaia; Exposição individual Uma Grande, Imensa Fidelidade, na Galeria Rastro, Figueira da Foz; XXX Exposição Coletiva dos Sócios da Árvore, no Museu Soares dos Reis, Porto; Exposição Coletiva Arte Para a Casa do Caminho, Hotel The Yeatman, Vila Nova de Gaia; Exposição Coletiva Porto com Sentido, na Fundação Manuel António da Mota, Porto; 80 anos/80 Interpretações de José Rodrigues - Homenagem ao Mestre, na Fundação Escultor José Rodrigues, Porto; Exposição individual Armando Alves - Pintura e Desenho, na Oficina Cultural do Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

Hernâni Matos

domingo, 12 de março de 2017

Poetas em defesa da olaria de Estremoz - 04


Retrato de Afonso Lopes Vieira (1910). Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929).
Óleo sobre madeira (35 cm x 27 cm). Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa.

Afonso Lopes Vieira (1878-1946).
Poeta e jornalista, natural de Leiria.

O Pucarinho

O Pucarinho de barro,
o pucarinho,
tem bochechas encarnadas,
tem as faces afogueadas;
dêem-lhe água, coitadinho,
que tem sede, o pucarinho!

O pucarinho de barro,
o pucarinho,
está ao pé da sua mãe,
sua mãe, bilha bojuda,
que tem como ele também
a carinha bochechuda!

O pucarinho de barro,
o pucarinho,
se a água dentro lhe cai,
põe-se baixinho chiando;
parece que diz: - Ai, ai,
já a sede vai passando!

Se se vai pelo caminho,
ao Sol ardente,
tem-se uma grande alegria
se dão de beber à gente
uma pouca de agua fria
que é dada num pucarinho!

BIBLIOGRAFIA: - Para quê? (1898); - Naufrago - versos lusitanos (1899); - Auto da Sebenta (1900); - Elegia da Cabra (1900); - Meu Adeus (1900); - Ar Livre (1901); - O Poeta Saudade (1903); - Marques - História de um Peregrino (1904); - Poesias Escolhidas (1905); - O Encoberto (1905); - O Pão e as Rosas (1910); - Gil Vicente - Monólogo do Vaqueiro (1910); - O Povo e Os Poetas Portugueses (1911); - Rosas Bravas (1911); - Auto da Barca do Inferno adaptação) (1911) - Os Animais Nossos Amigos (1911); - Canções do Vento e do Sol (1912); - Bartolomeu Marinheiro (1912); - Canto Infantil (1913); - O Soneto dos Tûmulos (1913); - Inês de Castro na Poesia e na Lenda (1914); - A Campanha Vicentina (1914); - A Poesia dos Painéis de S. Vicente (1915); - Poesias sobre asCenas de Schumann (1916); - Autos de Gil Vicente (1917); - Canções de Saudade e de Amor (1917); - Ilhas de Bruma (1918); - Cancioneiro de Coimbra (1920); - Crisfal (1920); - Cantos Portugueses (1922); - Em Demanda do Graal (1922); - País Lilás, Desterro Azul (1922); - O Romance de Amadis (1923); - Da Reintegração dos Primitivos Portugueses (1924); - Diana (1925); - Ao Soldado Desconhecido (1925); - Os Versos de Afonso Lopes Vieira (1928); - Os Lusíadas (1929); - O Poema do Cid (tradução) (1930); - O livro do Amor de João de Deus (1930); - Fátima (1931); - Poema da Oratória de Rui Coelho (1931); - Animais Nossos Amigos (1932); - Santo António (1932); - Lírica de Camões (1932); - Relatório e Contas da Minha Viagem a Angola (1935); - Églogas de Agora (livro proibido até 25 de Abril de 1974) (1937); - Ao Povo de Lisboa (1938); - O Conto de Amadis de Portugal (1940); - Poesias de Francisco Rodrigues Lobo (1940); - A Paixão de Pedro o Cru (1940); - Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940); - O Carácter de Camões (1941); - Cartas de Soror Mariana (tradução) (1942); - Nova Demanda do Graal (1947); - Branca Flor e Frei Malandro (1947);

quinta-feira, 9 de março de 2017

Receita para um Programa Autárquico



Em Outubro próximo, terão lugar eleições autárquicas, que permitirão eleger Assembleias de Freguesia, Assembleia Municipal e Câmara Municipal. Daí que se justifique aqui uma reflexão sobre programas autárquicos.

Problemas para resolver são o que não faltam
Qualquer de nós, fruto de observação atenta ou chamado à atenção por outros, constata a existência de múltiplos problemas na nossa Comunidade, aos quais urge dar resposta. Alguns desses problemas estão relacionados entre si e alguns só poderão ser resolvidos por cooperação entre várias entidades. Eis uma lista não exaustiva de alguns desses problemas: - Desemprego; - Êxodo da Juventude; - Falta de indústrias; - Carência de habitação social; - Exclusão social; - Renovação do Sistema de Abastecimento, Tratamento e Distribuição da Água e do Sistema de Saneamento Básico; - Acessibilidades na via pública e a edifícios públicos; - Mobilidade e estacionamento; - Regeneração urbana; - Espaços verdes; - Salvaguarda de Património Histórico Construído; - Salvaguarda de Património Cultural Imaterial (Olaria); - Poluição visual; - Pombos vadios; - Poluição urbana; - Reciclagem; - Museologia; - Rotas turísticas; - Animação histórica.

Programas autárquicos
Qualquer programa autárquico deve expressar as preocupações sentidas no sentido de resolução dos problemas da Comunidade. Não apenas aqueles que se têm manifestado mais recentemente, mas também aqueles que se vêm arrastando de trás e cuja resolução foi deixada para o Dia de São Nunca à Tarde. Para além deles, há que prever aqueles que possam vir a surgir no futuro, visando não só preveni-los como procurar atempadamente uma solução no sentido da sua resolução.

Como elaborar um programa autárquico
Creio que a maneira mais adequada de o fazer passa por: - Rastrear e equacionar problemas cuja resolução possa interessar à Comunidade; - Avaliar a importância relativa de cada um, de modo a definir prioridades de resolução; - Agrupar os problemas por sectores temáticos, seriados por ordem de prioridades de resolução; - Definir estratégias de resolução de cada um dos problemas; - Assegurar o financiamento indispensável à resolução de cada problema.
Torna-se aqui evidente que um programa autárquico sério, não poderá servir para albardar o burro à vontade do dono. Tampouco poderá ser um plano de intenções a não cumprir, apesar de haver quem continue a pensar, que é com doces e bolos que se enganam tolos. 

Programas com paredes de vidro
A meu ver, é de privilegiar o apoio a programas autárquicos dispostos a valorizar a cidadania, ao assegurarem a transparência, fluidez e acessibilidade de informação das actividades dos órgãos autárquicos, estimulando e acarinhando assim, um amplo debate e a participação da Comunidade na tomada de decisões. Isto passa por: - Transmitir e disponibilizar os conteúdos das reuniões autárquicas; - Criar livros públicos de registo de interesses dos eleitos locais; - Promover o acesso público e por via informática aos pedidos de licenciamento de operações urbanísticas; - Limitar o recurso à contratação pública por ajuste directo; - Acabar com as parcerias público privadas e as concessões a empresas do sector empresarial local.
Por outro lado, creio ser de privilegiar igualmente o apoio a programas autárquicos capazes de acarinhar o debate e a participação das populações na tomada de decisões, o que passa por: - Valorizar o exercício do direito de petição perante os órgãos autárquicos; - Privilegiar os processos de consulta pública prévia às decisões destes; - Incentivar a participação no Orçamento Participativo; - Promover a realização de referendos locais.

Programas e precariedade
Não é aceitável que uma autarquia ponha em causa direitos laborais, pelo que na minha opinião deve também ser privilegiado o apoio a programas autárquicos que se mostrem indisponíveis para: - Promover a contratação precária; - Recorrer a estágios ou Contractos Emprego-Inserção para satisfação das necessidades permanentes de pessoal, bem como o recurso à subcontratação para a prossecução das suas atribuições; - Aceitar a existência de precariedade laboral na contratação pública com concorrentes.

Eleições autárquicas 2017
Com base na Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais (Lei Orgânica n.º 1/2001, de 14 de Agosto), vão decorrer em Outubro próximo, as eleições autárquicas, que permitirão eleger Assembleias de Freguesia, Assembleia Municipal e Câmara Municipal.
Nas eleições autárquicas de 2013, a participação eleitoral ficou-se pelos 60,06%, a abstenção cifrou-se nos 34,5%, enquanto que os votos brancos e nulos atingiram respectivamente, os 3,44% e os 2,10%. Significa isto que a abstenção ultrapassou metade da participação eleitoral. As principais causas apontadas para a abstenção são: - Desinteresse pela política; - Não identificação com programas ou candidatos; - Falta de esclarecimento eleitoral; - Desmobilização devido a divulgação de sondagens ou previsões; - Incapacidade física ou de custeamento da deslocação ao local de voto.
A abstenção pode ser considerada como um voto de protesto, mas a sua eficácia como exercício do direito de cidadania é nulo, já que a abstenção não retira qualquer poder ou legitimidade aos eleitos. O pleno exercício do direito de cidadania, aconselha sim à participação activa no acto eleitoral, votando naqueles que nos oferecem mais confiança e estão mais próximos daquilo em que cada um de nós acredita.
Em democracia e pese embora o facto de haver factores desviantes, o exercício do direito de voto é sempre uma possibilidade de abertura à mudança, que muitos desejam, mas que nela não se empenham, muitas vezes por indiferença. Daí que a abstenção favoreça sempre quem está no poder ou na faixa central do mesmo.
A importância da mudança em democracia encontra-se lapidarmente expressa na frase de Eça de Queiroz: “Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão." Faço votos para que tal afirmação seja motivadora de uma maior participação cívica no acto eleitoral que se avizinha.