sábado, 13 de janeiro de 2018

ESTREMOZ - Executivo MIETZ recusa atribuição de Medalha de Mérito Municipal ao Director do Museu Municipal


Hugo Guerreiro, Director do Museu Municipal de Estremoz. Cliché de
Sara Matos (http://www.e-cultura.sapo.pt/patrimonio_item/14039).

De acordo com o Facebook do PS Estremoz, de 12 do corrente mês, a maioria MIETZ (4) do Executivo Municipal de Estremoz, recusou na sessão de Câmara do passado dia 10 de Janeiro, uma proposta dos veradores PS (3) no sentido da atribuição da Medalha de Mérito Municipal ao Dr. Hugo Guerreiro, Coordenador Técnico e principal mentor da candidatura à inscrição da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz” na “Lista Representativa do Património Cultural da Humanidade”.
De acordo com o Facebook do PS Estremoz, os vereadores deste Partido ficaram espantados com tal chumbo e declararam que “É nosso entendimento que as lideranças fortes e democráticas devem reconhecer e valorizar os seus colaboradores e todos aqueles que contribuem para o sucesso dos seus projetos. Assim, o PS lamenta, profundamente, a insensibilidade deste Executivo MIETZ que, mais uma vez, não reconhece o mérito de quem tem contribuído para a elevação do Concelho, no caso em apreço, no âmbito da Cultura”.

Do Facebook do PS Estremoz, transcrevo de seguida, com a devida vénia e na íntegra, a Proposta de Atribuição da Medalha de Mérito Municipal, chumbada pela maioria MIETZ do Executivo Municipal de Estremoz.

PROPOSTA DE ATRIBUIÇÃO DA MEDALHA DE MÉRITO MUNICIPAL

O Dr. Hugo Guerreiro está desde 1998 ao serviço da Divisão Sócio-Cultural do Município de Estremoz, tendo até 2002 desempenhado funções de investigador e de apoio ao então Director do Museu Municipal, Professor Joaquim Vermelho. Por falecimento deste último, passou a desempenhar as funções de Director do Museu Municipal, cargo que com proficiência tem vindo a desempenhar até à actualidade.
Tem exercido as funções de Curador do Museu Municipal, das Reservas Visitáveis da Alfaia Agrícola, do Museu Rural de Estremoz e do Museu Escolar de Veiros. 
Tem sido responsável por exposições temporárias em quatro espaços distintos em Estremoz (Museu Municipal, Galeria Municipal D. Dinis, Sala de Exposições Temporárias do Centro Cultural e Palácio dos Marqueses de Praia e Monforte).
A nível de conferências e de publicações tem dado especial enfoque ao Património Cultural de Évora Monte, bem como ao Património Religioso, à Faiança, ao Figurado e à Olaria de Estremoz.
Recentemente, a inscrição da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz” na Lista representativa do Património Cultural da Humanidade, foi fruto do trabalho do Dr. Hugo Guerreiro, que elaborou o pedido de inventariação, o qual foi subscrito pelo Município de Estremoz e aprovado no decurso da 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que entre 4 e 9 de Dezembro decorreu no Centro Internacional de Convenções Jeju, na ilha de Jeju, na República da Coreia.
Considerando que através da sua acção, o Dr. Hugo Guerreiro tem dado um contributo relevante no campo da Cultura, do qual tem resultado um aumento do prestígio da cidade, a Câmara Municipal de Estremoz, reunida em sessão ordinária, no dia 10 de Janeiro de 2018, deliberou outorgar-lhe a Medalha de Mérito Municipal, de grau prata, que lhe será entregue em cerimónia pública a realizar no Dia do Município (10 de Maio de 2018). 
Estremoz, 10 de Janeiro de 2018
Os Vereadores do PS Estremoz

Hernâni Matos

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

BONECOS DE ESTREMOZ - Orgulho e importância


Rita Rato. Deputada estremocense do PCP.

O reconhecimento recente do Figurado em Barro de Estremoz conhecido por “Bonecos de Estremoz”, como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, é de uma enorme importância e de um imenso orgulho.
Orgulho nas gentes que contra ventos e marés, com a sua determinação e resiliência, preservaram esta tradição tão antiga e marcante da identidade estremocense, insistindo na vontade e na necessidade de a manter viva. Orgulho nas artesãs e artesãos que com a sua arte e criatividade fizeram perdurar este património de geração em geração; nos professores que, desde que me recordo, desenvolveram projectos pedagógicos e estimularam o interesse das crianças e jovens em torno da barrística e dos Bonecos de Estremoz; em todos os investigadores e interessados que desde há décadas se bateram pelo reconhecimento desta arte.
Importância porque o reconhecimento como Património Cultural Imaterial da Humanidade pode e deve significar um passo sólido na valorização desta expressão da  cultura  popular, bem como  contribuir  decisivamente  para  a  sua  preservação  e salvaguarda.
Felicito por isso, as entidades que integraram a Comissão Executiva da candidatura  pelo  trabalho  que,  de  forma  persistente,  desenvolveram,  bem  como  todos os que se envolveram e empenharam neste processo.
Haja vontade e força para apoiar todas as artesãs e artesãos, pelo seu insubstituível  papel  de  preservação e  divulgação  deste  património, para promover projetos integrados de promoção das artes e da cultura, e se reforcem estratégias de valorização dos Bonecos de Estremoz e de toda a barrística como elementos de desenvolvimento económico e social de Estremoz, do Alentejo e do país.
“Barro velho do presente / Vão moldar-te as mãos do povo, / Vão dar-te forma diferente / Pra que sejas barro novo!”. Que seja assim como o escreveu António Simões: moldando um caminho de maior consciência da nossa identidade cultural, preservação do património e construção de um futuro de progresso e justiça social.

Rita Rato
Deputada estremocense do PCP
(Texto publicado no jornal E nº 190, de 28-12-2017)

Hernâni Matos

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Bonecos de Estremoz


Armando Alves. Pintor.
A existência dos Bonecos de Estremoz é conhecida há mais de trezentos anos e hoje são muitas as mãos de artistas populares que continuam a dar vida a estas figuras. A temática é, de uma maneira geral, baseada nas tarefas do dia a dia mas também em figuras religiosas, onde se destacam os presépios.
Foi por volta de 1945 que o escultor Sá Lemos, então director da Escola Industrial António Augusto Gonçalves, desafiou e incentivou a “Ti Ana das Peles” a trabalhar na recuperação de uma tradição adormecida que, a partir daí, se veio afirmando como uma actividade relevante na criação dos nossos artistas do barro, para o desenvolvimento do turismo local, para a economia da região, e para a afirmação do nome de Estremoz.
Muitos foram os artesãos que, depois da Ti Ana das Peles se foram afirmando e criando à sua maneira os Bonecos de Estremoz.
Sem querer ser injusto para ninguém quero referir apenas aqueles com quem tive mais proximidade. Desde logo, e porque ainda felizmente estão em actividade, “As Irmãs Flores”, a Maria Inácia Fonseca e a Perpétua Sousa Fonseca, que têm sabido dar continuidade ao que de melhor se tem feito para preservar o bom nome dos Bonecos de Estremoz sendo ainda de realçar o sentido pedagógico que manifestaram ao lançar nestes caminhos da arte do barro, o seu sobrinho Ricardo Fonseca, um jovem com talento que nos dá confiança para o futuro.
Antes tinha conhecido o José Moreira, ainda como empregado na Olaria Alfacinha, com quem privei bastante. Tinha no quintal uns tanques onde transformava a terra em barro para poder ser moldado e, depois de cozido, ser pintado pelas mãos sensíveis de sua mulher Josefina Augusta Ferreira.
Conheci ainda a Maria Luísa da Conceição que tinha uma forte ligação a esta actividade, muito influenciada pela família, tendo conseguido afirmar a sua marca pessoal no fabrico dos seus bonecos.
Por último, sendo o primeiro, o Mestre Mariano Alfacinha. Professor de olaria na Escola Industrial de Estremoz, que frequentei quando tinha treze anos e onde aprendi com ele a arte de trabalhar o barro. Estou a vê-lo com aquelas mãos grossas e sapudas, enormes e ao mesmo tempo delicadas, a mexer no barro e tratá-lo por tu porque o conhecia como ninguém. Foi com ele que aprendi também a fazer Bonecos de Estremoz. Não fiz muitos, talvez uma centena que vendia a vinte e cinco tostões na Papelaria Ruivo, da minha tia Joana Ruivo em Estremoz.
Ainda hoje guardo o último exemplar desses bonecos, “O Homem do Harmónio”, a quem um dia destes ouvi tocar uma modinha a propósito da proclamação dos Bonecos de Estremoz a Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Armando Alves
Pintor
(Texto publicado no jornal E nº 190, de 28-12-2017)

Hernâni Matos

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

BONECOS DE ESTREMOZ - Semear para colher


Semeador (1987). Liberdade da Conceição (1913-1990). Colecção particular.

A recente inscrição da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz" na “Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade” integrou a cidade de Estremoz na rota do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Daqui resultará um previsível incremento do turismo cultural, com reflexos importantes em termos da economia local. Todavia, a cidade “não se pode encostar à sombra da bananeira”. Pelo contrário, tal como sentencia o adagiário português, "Quem semeia, colhe" e "Cada um colhe segundo semeia".
Foi o Município de Estremoz que teve a iniciativa de apresentar a candidatura da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz" à inscrição na “Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade”. É pois a ele que cabe a responsabilidade de tomar iniciativas diversificadas, visando divulgar, exaltar, salvaguardar e valorizar aquele registo, bem como a Memória dos barristas que já partiram e que com o seu trabalho também constituíram pilares duma candidatura vencedora.
Como é meu timbre, reflecti aprofundadamente em torno de toda esta temática e conclui existir uma mão cheia de iniciativas que podem ser tomadas nos sentidos atrás apontados e algumas que a meu ver, terão mesmo que inexoravelmente ser consumadas. Naturalmente que cabe ao Município e só a ele, tomar decisões, o que de modo algum é impeditivo de aqui apresentar sugestões que foram sistematizadas em 4 grandes grupos: Prioridades, Barristas, Eventos e Edições.
Prioridades
- Registar as designações “Bonecos de Estremoz” e “Figurado em Barro de Estremoz” como exclusivas do Município e as marcas homónimas como exclusivas dos barristas certificados pelo Município de Estremoz; - Instalar “outdoors” de dimensão adequada nos acessos às entradas da cidade, salientando a classificação da produção do Figurado em Barro de Estremoz como Património Cultural da Humanidade; - Criar um Centro Interpretativo do Figurado de Estremoz; - Erigir em Estremoz um monumento exaltador da produção de Figurado em Barro de Estremoz.
Barristas
- Certificar os barristas vivos cujo trabalho serviu de fundamento à candidatura apresentada à UNESCO e cuja produção artesanal se integra no processo de produção, dito “ao modo de Estremoz”; - Criar um selo certificador da condição de Património Cultural Imaterial da Humanidade a ser usado por cada barrista certificado pelo Município; - Implementar na cidade uma sinalética adequada que indique a localização das oficinas dos barristas; - Colocar uma lápide em mármore na fachada da oficina de cada um dos barristas falecidos, assinalando que trabalharam ali; - Atribuir a ruas de Estremoz nomes de barristas falecidos que foram esquecidos na mais recente atribuição de nomes a ruas da cidade. São eles: Ana das Peles, Sabina Santos, José Moreira, António Lino de Sousa, Mário Lagartinho, Isabel Carona e Aclénia Pereira;
Eventos
- Adoptar o Figurado em Barro de Estremoz como tema integrador do CARNAVAL DE ESTREMOZ 2018 e elemento de decoração na FIAPE 2018 e na COZINHA DOS GANHÕES 2018; - Promover eventos centrados na produção do Figurado em Barro de Estremoz: a) Exposição de colecções particulares; b) Exposição bibliográfica; c) Concursos de Desenho e Pintura, abertos a todos os graus de ensino do concelho, seguidos de exposições nas escolas em que foram realizados; d) Jogos Florais de âmbito nacional, na modalidade de quadra, soneto, poesia livre e décimas sujeitas a mote. Posteriormente, editar em livro as produções literárias submetidas a concurso; e) Encontro de Poetas Populares que declamariam décimas sujeitas a mote. Posteriormente, editar em livro as produções apresentadas no Encontro; f) Concurso de Fotografia, seguido de uma exposição num espaço exposicional municipal e nas sedes das Juntas de Freguesia; g) Seminário Interdisciplinar sobre Figurado de Estremoz, envolvendo professores do concelho das seguintes áreas: Artes, Biologia, Ciências Sociais, Filosofia, Física e Química, História, Português e Religião e Moral. Posteriormente, editar em livro as comunicações do Seminário; - Organizar em 2018, as 3ªs JORNADAS PARA A SALVAGUARDA DO PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL DO ALENTEJO em parceria com a Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial; - Promover a formação de professores do concelho da área das Artes, na produção do Figurado em Barro de Estremoz, de modo que estes possam ensinar os alunos, visando assim despertar vocações; - Incentivar a realização de visitas guiadas ao Museu Municipal e às oficinas dos barristas.
Edições
- Produzir uma 2ª impressão no papel timbrado do Município (envelopes e folhas de ofícios), de modo que neles figure uma referência à classificação da produção do Figurado em Barro de Estremoz como Património Cultural da Humanidade; - Agir junto dos Correios de Portugal, visando uma emissão de selos de correio e de um inteiro postal; - Promover edições centradas na produção do Figurado em Barro de Estremoz: a) Cartaz encomendado a um artista plástico de nomeada e que poderia ser distribuído por embaixadas e consulados estrangeiros em Portugal, bem como embaixadas e consulados portugueses no estrangeiro. Poderia ser ainda distribuído por câmaras municipais, agências de viagens, estações de metro, terminais de autocarros e aeroportos; b) Livros sobre o Figurado em Barro de Estremoz;
c) Medalha em bronze, comemorativa da classificação da produção do Figurado em Barro de Estremoz como Património Cultural da Humanidade; d) Colecção de postais ilustrados reproduzindo exemplares de Figurado em Barro de Estremoz dos séc. XVIII e XIX, do acervo do Museu Municipal, a serem comercializados num estojo em cartolina, tendo impressa uma resenha histórica sobre a produção do Figurado em Barro de Estremoz; e) Colecção de postais ilustrados reproduzindo exemplares de Figurado em Barro de Estremoz, de barristas vivos ou já falecidos dos séc. XX e XXI, a serem comercializados num estojo em cartolina, tendo impressa uma resenha biográfica de cada barrista; f) Colecção de marcadores de livros, reproduzindo exemplares de Figurado em Barro de Estremoz dos sécs. XVIII e XIX, do acervo do Museu Municipal; g) Cartões de Boas Festas com presépios de Estremoz e cartões de Dia dos Namorados ilustrados com o “Amor é cego”; h) Calendários de bolso; i) Jogos (baralho de cartas, ludo, puzzles bidimensionais, puzzles de cubo); j) Objectos de uso escolar (cadernos, esferográficas, lápis, caixas de lápis de cor); k) Pin metálico, exaltador da inscrição da produção do Figurado em Barro de Estremoz na Lista Representativa do Património Cultural da Humanidade;
Nota final
Alguns dirão que pensei muito ou até demasiado nisto tudo. Pela minha parte direi que pensei e repensei bastante, já que como proclama o rifonário português “O bem pensado nunca sai errado” e “Mal pensa quem não repensa”. “Envergonhe-se quem nisto vê malícia”, uma vez que o meu envolvimento em toda esta reflexão é fruto da motivação suscitada em mim pelos Bonecos de Estremoz, os quais transporto na massa do sangue.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Os bonecos de Estremoz


Margarida Maldonado. Educadora de Infância e Pintora

Sou alentejana de alma e coração, nascida em Estremoz onde vivi a infância e adolescência, antes de partir para a cidade grande onde me formei em Educação de Infância. Volto recorrentemente a Estremoz, os bonecos que trouxe comigo chamam-me à minha cidade. Feitos com terra-mãe e com alma são bem a expressão da beleza e do amor que os artistas artesãos da nossa terra conseguiram ao longo de séculos dar testemunho. Neles há um misto de Ternura, pela forma tão simples e ao mesmo tempo sábia, como estes nos souberam transmitir a história da vida rural e social nas suas diversas dimensões, fazendo-nos sentir emoções que são transversais a qualquer idade. Festa e Imaginação porque as cores que usam não são mais do que as cores dos nossos campos nas diversas estações do ano, das tonalidades do pôr do sol, do imenso céu azul e do branco do casario, acrescentando-lhes pormenores de beleza que nos enchem a alma e nos convidam a sonhar.
A linguagem dos bonecos tão simples e chamativa, apreciada por todas as gerações, está muito próxima das crianças parecendo as figuras terem sido concebidas a pensar nos mais pequenos. A colecção de apitos com figuras de pombas e de galos considerados brinquedos, é-lhes certamente dedicada.
A gentileza que transparece nesta arte, a todos tocou e marcou ao longo da vida. Admirando as figuras recordam-se histórias que se entretecem na nossa memória colectiva onde usos e costumes da nossa terra nos aparecem de uma forma tão natural.
Quem não conhece o famoso e delicado “Presépio de Estremoz” com os seus andares onde se colocam as figuras principais? Quem não teve já ocasião de admirar o trabalho encantatório das cantarinhas ou dos pucarinhos enfeitados (fidalguinhos), sabiamente pintados de cores garridas e ornamentados de flores?
 “A Primavera” (a minha preferida), é uma figura poética cheia de significado, lembra-nos a urgência de renovação e de esperança para que possamos renascer a cada dia como melhores pessoas.
No meu trabalho enquanto artista plástica eles foram sempre uma referência não só pelas belas cores, mas também pelas formas que me transportam para um universo poético que me é particular.
Os bonecos de Estremoz até agora só nossos e TÃO NOSSOS, foram reconhecidos como Património Cultural e Imaterial da Humanidade. Nada mais justo e expectável! Que o mundo todo possa conhecê-los e deliciar-se com tão especial beleza!
Parabéns a todos os que se implicaram nesta candidatura! Parabéns aos artistas artesãos que não deixaram morrer esta arte de que todos nos orgulhamos! Finalmente Parabéns a todos nós Estremocenses que estamos maiores e mais internacionais.
Margarida Maldonado
Educadora de Infância e Pintora
(Texto publicado no jornal E nº 191, de 11-01-2018) 


Hernâni Matos

domingo, 7 de janeiro de 2018

Aclénia Pereira, bonequeira de Estremoz

Aclénia Pereira (1927-2012), artesã polifacetada e bonequeira de Estremoz.

NASCIMENTO E NOME
Em 21 de Abril do presente ano, faleceu com a idade de 85 anos na Casa de Saúde do Montepio Rainha D. Leonor, na Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo nas Caldas da Rainha, Aclénia Pereira (Fig. 1), artesã polifacetada e barrista estremocense, que tive o privilégio de conhecer nos anos 50 do século passado, em virtude de ser amiga de minha prima Adozinda Pacífico Carmelo da Cunha, que era íntima da casa de seus pais e que me levava a passear com ela.
Aclénia nasceu às 21 horas do dia 26 de Fevereiro de 1927 no nº 12 da Rua Magalhães de Lima, Freguesia de Santo André de Estremoz. Filha legítima de Carlota Rita Capeto Pereira, 23 anos, doméstica, casada com Ricardo de Jesus Pereira Ventas, 26 anos, conceituado relojoeiro e ourives da nossa praça (a) , natural como sua mulher da Freguesia de Santo André, concelho de Estremoz.
A criança então nascida era neta paterna de Joaquim Abílio Ventas e de Adelaide do Nascimento Pataco e, neta materna de Estevão da Silva Capeto e de Perpetua Rosa Polido Capeto
A recém-nascida foi registada a 21 de Março de 1927, no Registo Civil de Estremoz. Apadrinharam o acto, José Joaquim Pereira Ventas, sapateiro, maior e Maria Antónia Pulido Capeto, doméstica, maior, ambos residentes em Estremoz.
A menina recebeu o nome de Aclénia Risolete Capeto Ventas.
Em 1945 o pai de Aclénia foi autorizado superiormente a mudar o nome para Ricardo de Jesus Pereira, pelo que a filha com a idade de 18 anos foi também autorizada a alterar o nome para Aclénia Risolete Capeto Pereira.
Em 28 de Dezembro de 1960, com a idade de 33 anos, casou na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, com Pedro Paulo de Oliveira e Noronha, de 30 anos, natural de vale de Santarém, Santarém, onde o casal passaria a residir. O nome da noiva passaria então a ser Aclénia Risolete Capeto Pereira e Noronha.

INFÂNCIA E JUVENTUDE
Aclénia cresceu sem problemas e frequentou o Ensino Primário Elementar em Estremoz, tendo sido aprovada no exame de 2º grau em 1939, com a idade de 12 anos.
Com a idade de 13 anos, Aclénia inscreveu-se em 1940 na Escola Industrial António Augusto Gonçalves (b), situada na rua da Pena nº 11 em Estremoz, no local onde funcionaria mais tarde a Ala nº 2 da Mocidade Portuguesa Masculina e depois o Salão Paroquial de Santa Maria. Era então director José Maria de Sá Lemos (1892–1971). A organização do Ensino Técnico-Profissional era então regida pelo Decreto nº 20.420 de 20 de Outubro de 1931. Na Escola era ministrado o ensino dos seguintes ofícios: canteiro civil, canteiro artístico, oleiro e tapeceira, sendo o pessoal docente desta Escola composto por 1 professor e 3 mestres.
Aclénia inscreveu-se no Curso de Tapeceira cuja carga horária era a seguinte:


Aclénia frequentou a Escola com aproveitamento até ao 3º ano, tendo realizado todos os exames e frequências constantes do currículo. Não frequentou todavia o 4º ano.
Na oficina de tapeçaria aprendeu com Mestra Joana Maria de Albuquerque Simões e na oficina de Olaria com Mestre Mariano Augusto da Conceição (1902-1959). A oficina de tapeçaria era no 1º andar e a oficina de olaria, logo à entrada da Escola, do lado direito.
Com as mão sábias e experientes de Mestra Joana aprendeu o ponto de Arraiolos, a bordar, a recortar autênticas filigranas em papel e o deslumbramento da Arte Conventual. Por sua vez, Mestre Mariano, já consagrado pela sua luminosa participação na Exposição do Mundo Português, ocorrida nesse ano em Lisboa, soube-lhe transmitir no trabalho do barro informe, a destreza de mãos herdada da dinastia dos Alfacinhas a que ele próprio pertencia, bem como os gestos ancestrais das bonequeiras de oitocentos que na década de 30 do século passado, aprendera com ti Ana das Peles, com a supervisão do director, o escultor José Maria de Sá Lemos.
Com tais mestres e dotada de rara habilidade e fina sensibilidade, Aclénia aprendeu a dominar os materiais e a criar artefactos que nos deleitam o espírito.
Depois de ter saído da Escola Industrial António Augusto Gonçalves terá frequentado a Escola do Magistério Primário de Évora, após o que passou a desempenhar funções de Professora do Ensino Primário, o que fez até á altura da sua aposentação.
Após o casamento em 1960, deixou de morar na Avenida Dr. Marques Crespo, nº 23, em Estremoz, para onde entretanto mudara e transferiu-se para Santarém.
Em 1983 participou na I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, cujo stand 5,6,7 ocupou. Dela diz o catálogo (4): Natural de Estremoz e residente em Santarém, dedica-se de há longos anos à prática variadíssmas técnicas, às artes popular e conventual. Com barro, tecidos, papel, metal, organiza pequenas obras de arte preenchendo da melhor maneira os lazeres da sua vida doméstica e profissional.”. De acordo com o jornal “Brados do Alentejo”(6), Aclénia participou no certame nas secções de “Barro”, “Papel” e “Têxteis”. Ainda de acordo com o catálogo, partilhou o stand com sua tia Ernestina Capeto de Matos (c) que apresentou trabalhos de arte conventual.
Aclénia está representada com os seus bonecos de Estremoz em colecções particulares e no Museu Rural da Casa do Povo de Estremoz.

OS BONECOS DE ACLÉNIA
Aclénia reproduziu as figuras que aprendera com Mestre Mariano: figuras que têm a ver com a realidade local, figuras intimistas que têm a ver com o quotidiano doméstico, figuras que são personagens da faina agro-pastoril das herdades alentejanas, figuras alegóricas e imagens religiosas.

Primavera de arco da autoria de Aclénia Pereira.
3,5 cm x 5,5 cm x 17 cm.
 Exemplar pertencente a colecção do Museu Rural
da Casa do Povo de Santa Maria, Estremoz. 
Procissão do Senhor dos Passos de Estremoz.
Conjunto escultórico em barro da autoria de Aclénia Pereira,
 pertencente a colecção do Museu Rural
da Casa do Povo de Santa Maria, Estremoz. 
O andor do senhor dos Passos. Figura da autoria de Aclénia Pereira,
 pertencente à Procissão do Senhor dos Passos de Estremoz
 e que integra a colecção do Museu Rural
 da Casa do Povo de Santa Maria, Estremoz.

Os bonecos de Aclénia são inconfundíveis, a meu ver pela ingenuidade e simplicidade dos traços do rosto, que com a sua rara sensibilidade feminina lhes soube transmitir.
Todos têm estampada na base a marca de identificação da barrista: “Tanagra”, manuscrita dentro de um rectângulo de 1 cm x 3 cm (Fig. 3). Quase todos têm igualmente estampada na base a marca de identificação do local de produção: “ESTREMOZ / PORTUGAL”, em maiúsculas e em duas linhas, dentro de um rectângulo de 1 cm x 2,7 cm (Fig. 4).


Marca de identificação da barrista: “Tanagra”, manuscrita dentro de um rectângulo de 1 cm x 3cm.
Marca de identificação do local de produção: “ESTREMOZ / PORTUGAL”,
em maiúsculas e em duas linhas, dentro de um rectângulo de 1 cm x 2,7 cm.


PORQUÊ TANAGRA?
Azinhal Abelho, referindo-se aos bonecos de Estremoz, diz na página 24 do seu livro (1): “Outros atestam o exuberante poder de concepção e fantasia do povo. A “Primavera”, tanagra plebeia de mocidade é sumamente típica com o arco de flores preso nos ombros, passando-lhe sobre a cabeça como auréola.” É claro que o livro de Azinhal Abelho foi dado à estampa em 1964 e a utilização da marca “Tanagra” por Aclénia é anterior a essa data, pelo que não esteve na origem da escolha deste nome como marca de identificação da barrista. A origem terá sido outra, pelo que se impôs uma consulta aos nossos lexicógrafos, por ordem cronológica:
- Raphael Bluteau (4), sobre “Tanagra” diz textualmente: “Cidade da Livadia, na Turquia Europeia, perto do rio Asopo. Escreve Ateneu, que uma baleia de prodigiosa grandeza, que por este rio foi dar de fronte da cidade, deu lugar ao provérbio, Cetus Tanagreus, quando se fala num corpo extraordinariamente grande. Hoje chamam-lhe Anatoria, outros lhe chamaram Orops e Gephyra.”
- Viterbo (13), Cândido de Figueiredo (7) e Silva Bastos (3) não registam o termo “Tanagra”.
- José Pedro Machado (10) regista o termo “Tánagra”, substantivo que diz provir do grego Tânagra, topónimo na Beócia. O mesmo autor (11) regista o termo “Tânagra”, substantivo feminino que designa “Estatueta feita na cidade de Tânagra”, bem como “Qualquer estatueta fina e elegante”.
- Houaiss (9) regista o termo “Tánagra”, substantivo feminino que designa “Pequena estatueta feita com barro cozido e, encontrada em Tânagra, cidade da Beócia, região da antiga Grécia ao Norte e noroeste da Ática”. Segundo o mesmo autor, o termo “Tánagra”, designa por extensão “Qualquer estatueta fina e elegante” e por analogia “Moça bonita e tão elegante como as estatuetas”.
- Segundo a WIKIPÉDIA (14), "Tanagra" (em grego antigo Τάναγρα / Tanagra) é uma antiga cidade grega da Beócia, situada não muito longe de Platéia, a 20 km de Tebas, perto da fronteira com a Ática. É identificada com Grée, citada por Homero no “Catálogo dos navios” da “Ilíada”. Foi palco de duas batalhas entre atenienses e a Liga do Peloponeso, em 457 a.C.and 426 a.C.. Foi arrasada pela vizinha Tebas nos anos 370-360 a.C. e depois reconstruída. Na mitologia grega, "Tanagra" era filha de Éolo ou do deus fluvial Asopo e de Metope. Incitados por Afrodite e Eros, os deuses principais raptaram as filhas de Asopo, sendo Ares o que seduziu Tanagra. Finalmente casou-se com Poimandros, de quem teve os filhos Leucipo e Efipo.
- De acordo com TANAGRA (12) as "tanagras" são estatuetas de barro fabricadas com moldes que foram descobertas em túmulos antigos na cidade de Tanagra e representam a maior parte das vezes, mulheres graciosas cobertas com vestidos elegantes, jovens e mais raramente crianças. Estiveram em voga desde o séc. IV a.C. até ao fim do século III d.C.
As tanagras tornaram-se a encarnação da graça feminina e por extensão, a palavra tanagra serve para adjectivar uma jovem fina e graciosa.
Vestígios de tinta sugerem que estas estatuetas foram pintadas em tons cinzento, azul-cinzento, azul, azul celeste, rosa, roxo e verde. No entanto, com o decurso do tempo, essas supostas cores deram origem a tonalidades de ocre e de branco.
O facto de se terem encontrado as tanagras em túmulos antigos é indicativo de que elas tinham uma função funerária.

UMA INTERPRETAÇÃO POSSÍVEL
O facto de Aclénia como barrista usar a palavra “ Tanagra” como marca de identificação é revelador de que sabia que a palavra era sinónimo de estatueta fina e elegante. Todavia vamos mais longe, como Aclénia era uma mulher bela e elegante, poderá ter escolhido aquela marca de identificação, porque se considerar ela própria uma “Tanagra”. É uma hipótese absolutamente plausível e que partilhamos com o leitor.

BIBLIOGRAFIA
(1) - ABELHO, Azinhal – Barros de Estremoz. Lisboa: Edições Panorama, 1964.
(2) - AULETE, Caldas. Diccionario Contemporâneo da Língua Portuguesa (1ª edição). Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1881.
(3) - BASTOS, J.T. da Silva. Diccionário Etymológico, Prosódico e Orthográphico da Língua Portugueza (2ª edição). Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1928.
(4) - BLUTEAU, Raphael. Vocabulario portuguez & latino: aulico, anatomico, architectonico ... 8 volumes. Collegio das Artes da Companhia de Jesus. Coimbra, 1712 - 1728. 8 v.
(5) - Catálogo da I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz. Câmara Municipal de Estremoz. Estremoz, 15 a 17 de Julho de 1983.
(6) - FIGUEIREDO, Cândido de. Novo Diccionário da Língua Portuguesa (1ª edição). Vol.II. Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1899.
(7) - I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz in Brados do Alentejo, 3ª série, nº 93. Estremoz, 15 de Julho de 1983.
(8) - INSTITUTO ANTÓNIO HOUAISS DE LÍNGUA PORTUGUESA. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Tomo VI. Círculo de Leitores. Lisboa, 2003.
(9) - MACHADO, José Pedro Machado. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (5ªedição). Vol.V. Livros Horizonte. Lisboa, 1989.
(10) - MACHADO, José Pedro Machado. Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Vol.VI. Publicações Alfa. Lisboa, 1991.
(11) - TANAGRA (http://www.tanagra-art.com/).
(12) - VITERBO, Joaquim de Santa Rosa de. Elucidário das Palavras, Termos e Frases. Edição Critica de Mário Fiúza. Vol. 2. Livraria Civilização. Porto, 1966. (d)
(13) - WIKIPÉDIA (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tanagra).

(a) - A relojoaria e ourivesaria do pai de Aclénia situava-se no Largo da República, 44-A, em Estremoz, no local onde funciona hoje o Plaza-Pronto-A-Vestir. Lembro-me de quando era rapaz ver expostas na montra do estabelecimento por altura do Natal, figurinhas de presépio confeccionadas por Aclénia. O seu pai era tio e padrinho de Inácio Augusto Basílio, com relojoaria e ourivesaria até à pouco tempo no Rossio Marquês de Pombal, 98, em Estremoz.
(b) - Esta Escola resultou da elevação a Escola Industrial, pelo Decreto nº 18.420 de 4 de Junho de 1930, da Escola de Artes e Ofícios de Estremoz, criada pela Lei nº 1.609 de 18 de Dezembro de 1924.
(c) - Ernestina além de artesão era proprietária de um bem afreguesado salão de cabeleireira, no Largo da República, 9-A, em Estremoz.
(d) - A 1ª edição é de 1798, 1799.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A Adoração dos Magos na Pintura Universal

A ADORAÇÃO DOS MAGOS (c/ 1320)
Giotto (c/ 1267 – 1337)
Têmpera em painel (45 × 44 cm)
Metropolitan Museum of Art, New York


“A Adoração dos Magos” é o tema central de telas criadas por grandes nomes da pintura universal, dos quais destacamos, associados por épocas/correntes da pintura:
IDADE MÉDIA - Giotto (c/ 1267 – 1337), italiano;
RENASCENÇA - Irmãos Van Limburg (1375 – 1416), holandeses; Fra Angelico (1387 – 1455), italiano; Rogier van der Weyden (1399/1400 – 1464), flamengo; Andrea Mantegna (1431 – 1506), italiano; Hugo van der Goes (c/ 1440 – 1482), flamengo; Sandro Botticelli (c/ 1445 – 1510), italiano; Hans Memling (c/ 1433 – 1494), flamengo; Leonardo da Vinci (1452 – 1519), italiano; Hieronymus Bosch (c/ 1450 – 1516), holandês; Geertgen tot Sint Jans (c/ 1460/65 – c/ 1488/93), holandês; Domenico Ghirlandaio (1449 – 1494), italiano; Filippino Lippi (c/ 1457 – 1504), italiano; Albrecht Dürer (1471 – 1528), alemão; Pieter Bruegel “O Velho” (c/ 1520 – 1569), flamengo; Pieter Aertsen (1507/08 – 1575), flamengo;
BARROCO - Peter Paul Rubens (1577 – 1640), flamengo; Diego Rodriguez da Silva y Velázquez (1599 – 1660), espanhol;
As referências bíblicas à “Adoração dos Magos” surgem em MATEUS 2:
“1. Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém.
2. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.
3. A esta notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele.
4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.
5. Disseram-lhe: Em Belém, na Judeia, porque assim foi escrito pelo profeta:
6. E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo {Miquéias 5,2}.
7. Herodes, então, chamou secretamente os magos e perguntou-lhes sobre a época exacta em que o astro lhes tinha aparecido.oração
8. E, enviando-os a Belém, disse: Ide e informai-vos bem a respeito do menino. Quando o tiverdes encontrado, comunicai-me, para que eu também vá adorá-lo.
9. Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.
10. A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria.
11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.
12. E, sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.”


A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1408-1409)
Irmãos Van Limburg (1375 – 1416)
Manuscrito iluminado (24 × 17 cm)
Metropolitan Museum of Art, New York
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (c/1445)
Fra Angelico (1387 – 1455)
Têmpera em painel (Diâmetro 137 cm)
National Gallery of Art, Washington DC
A VISÃO DOS MAGOS (c/ 1445 – 1448)
Rogier van der Weyden (1399/1400 – 1464)
Óleo em painel (91 × 40 cm)
Gemäldegalerie der Staatlichen Museen, Berlin
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (c/ 1461)
Andrea Mantegna (1431 – 1506)
Têmpera em painel (76 × 76,5 cm)
Galleria degli Uffizi, Florence
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (c/1470/75)
Hugo van der Goes (c/ 1440 – 1482)
Óleo em painel (150 × 247 cm)
Gemäldegalerie der Staatlichen Museen, Berlin
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1475)
Sandro Botticelli (c/ 1445 – 1510)
Têmpera em painel (111 × 134 cm)
Galleria degli Uffizi, Florence
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1479)
Hans Memling (c/ 1433 – 1494)
Óleo em painel (46 × 57 cm)
Memling Museum, St.John's Hospital, Bruges
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1479)
Hans Memling (c/ 1433 – 1494)
Óleo em painel (46 × 57 cm)
Memling Museum, St.John's Hospital, Bruges
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1485-1500)
Hieronymus Bosch (c/ 1450 – 1516)
Óleo em painel (138 × 144 cm)
Museo del Prado, Madrid
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (c/1485)
Geertgen tot Sint Jans (c/ 1460/65 – c/ 1488/93)
Óleo em painel (Painel principal: 111 × 69 cm; abas: 71 × 39 cm)
Národní galerie, Sternberg Palace, Prague
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1488)
Domenico Ghirlandaio (1449 – 1494)
Têmpera em painel (285 × 240 cm)
Ospedale degli Innocenti, Florence
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1496)
Filippino Lippi (c/ 1457 – 1504)
Óleo em painel (258 × 243 cm)
Galleria degli Uffizi, Florence
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1504-05)
Albrecht Dürer (1471 – 1528)
Óleo em painel (100 × 114 cm)
Galleria degli Uffizi, Florence
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1556-62)
Pieter Bruegel “O Velho” (c/ 1520 – 1569)
Têmpera sobre tela (124 × 169 cm)
Royal Museums of Fine Arts of Belgium, Brussels
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (c/ 1560)
Pieter Aertsen (1507/08 – 1575)
Óleo em painel (168 × 179 cm)
Rijksmuseum, Amsterdam
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1617-18)
Peter Paul Rubens (1577 – 1640)
Óleo sobre tela (245 × 325 cm)
Musée des Beaux-Arts, Lyon
A ADORAÇÃO DOS MAGOS (1619)
Diego Rodriguez da Silva y Velázquez (1599 – 1660)
Óleo sobre tela (203 × 125 cm)
Museo del Prado, Madrid